maio 26, 2026


Entenda o que são as ações ordinárias e preferenciais

Entenda o que são as ações ordinárias e preferenciais

Entrar no mercado de renda variável e começar a investir na Bolsa de Valores (B3) é um dos passos mais inteligentes para quem deseja multiplicar o patrimônio no longo prazo e construir uma fonte de renda passiva robusta. No entanto, logo nas primeiras buscas por empresas famosas como Petrobras, Vale ou Itaú, o investidor iniciante se depara com uma sopa de letrinhas e números que pode parecer confusa. Você digita o nome de uma empresa e encontra opções como “PETR3” e “PETR4”, ou “ITUB3” e “ITUB4”.

Essa diferença nos códigos não é um mero detalhe burocrático. Ela indica que você está diante de duas categorias de ativos completamente diferentes: as ações ordinárias (ON) e as ações preferenciais (PN). Cada uma delas confere direitos, deveres, vantagens e desvantagens específicas para quem as compra. Escolher entre uma ou outra pode mudar drasticamente a sua estratégia de investimentos, o seu recebimento de dividendos e o seu nível de proteção em momentos de crise empresarial.

Muitas pessoas deixam de investir em excelentes empresas por medo de errar na hora de clicar no botão do Home Broker, ou compram o código errado simplesmente porque viram alguém comentar na internet, sem entender a lógica por trás daquele ativo.

Neste artigo completo, profundo e totalmente desmistificado, vamos explicar de forma simples e acessível o que são as ações ordinárias e preferenciais. Você vai entender o significado dos números 3 e 4 no final das siglas, as regras de pagamento de proventos, o que é o direito de voto e o tag along, e como escolher a melhor opção para montar a sua carteira de ações ideal. Prepare-se para dominar o mercado de ações a partir de hoje.

O que é uma ação e como funciona o mercado de capitais na Bolsa de Valores?

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Para entender a diferença entre as classes de ações, precisamos primeiro dar um passo atrás e compreender o que é uma ação na sua essência. De forma muito simples, uma ação representa a menor fração do capital social de uma empresa. Quando uma companhia decide abrir o seu capital na Bolsa de Valores — um processo conhecido pela sigla em inglês IPO (Initial Public Offering) —, ela está dividindo o seu negócio em milhões de pedacinhos e vendendo esses pedaços para o público em geral.

Ao comprar uma única ação de uma empresa no seu aplicativo de investimentos, você se torna, oficialmente, um sócio minoritário (ou acionista) daquela companhia. Isso significa que, independentemente do tamanho do seu aporte, você passa a ser “dono” de uma parte dos prédios, das máquinas, das marcas, das patentes e, o mais importante, dos lucros futuros que aquela organização gerar.

As empresas realizam esse movimento de abertura de capital no mercado de capitais por um motivo principal: captação de recursos. Em vez de recorrerem a empréstimos bancários tradicionais com juros abusivos que sufocam o fluxo de caixa, as companhias preferem vender participações do negócio para investidores parceiros. Com o dinheiro arrecadado no IPO, a empresa consegue financiar a construção de novas fábricas, investir em tecnologia, expandir para outros países ou quitar dívidas caras.

Para o investidor comum, a Bolsa de Valores atua como um ambiente seguro, eletrônico e regulado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) onde essas frações de empresas são negociadas diariamente entre compradores e vendedores. O seu sucesso nesse ambiente depende diretamente da sua capacidade de identificar boas empresas e compreender quais direitos você está adquirindo ao comprar cada classe de ativo disponível na prateleira do mercado.

O que são ações ordinárias (ON) e qual o peso do direito de voto?

As ações ordinárias, conhecidas pela sigla ON, são o tipo mais puro e tradicional de participação em uma empresa. Elas representam a essência do que significa ser sócio de um negócio. No mercado de capitais brasileiro, as ações ordinárias são identificadas pelo número 3 ao final do código de negociação (o ticker) da empresa.

Exemplos práticos: PETR3 (Petrobras ON), VALE3 (Vale ON), BBAS3 (Banco do Brasil ON), ITUB3 (Itaú Unibanco ON).

A principal característica e diferencial da ação ordinária é que ela confere ao investidor o direito de voto nas Assembleias Gerais da companhia. Isso significa que quem possui ações ON pode participar ativamente das decisões estratégicas do negócio. Quanto mais ações ordinárias você possuir, maior será o peso do seu voto nas escolhas da empresa.

Dentre as decisões que passam pelo crivo dos detentores de ações ordinárias, destacam-se:

  • Eleição ou destituição dos membros do Conselho de Administração da empresa.

  • Aprovação das demonstrações financeiras e balanços contábeis do ano anterior.

  • Definição dos planos de expansão, fusões com outras companhias ou venda de ativos estratégicos.

  • Alterações estatutárias profundas no modelo de negócio da organização.

O direito de voto importa para o pequeno investidor leigo?

Para o cidadão comum que investe R$ 100, R$ 1.000 ou R$ 50.000, o direito de voto individual tem um impacto prático muito pequeno, quase irrelevante, diante dos fundos de pensão, investidores institucionais e bilionários que possuem milhões de ações e controlam o rumo da empresa (o chamado bloco de controle).

Contudo, possuir ações ordinárias coloca você no mesmo barco dos controladores do negócio. Se os fundos de investimento ou os fundos de pensão tomarem uma decisão excelente para valorizar a empresa, a sua ação ordinária se valorizará exatamente na mesma proporção. É por isso que muitos investidores focados no longo prazo preferem as ações ON: eles desejam o mesmo alinhamento de interesses dos donos da empresa.

O que são ações preferenciais (PN) e qual a vantagem no recebimento de dividendos?

As ações preferenciais, conhecidas pela sigla PN, foram criadas como uma alternativa para atrair um perfil diferente de investidor: aquele que não está nem um pouco interessado em gerenciar os bastidores da empresa ou votar em assembleias confusas, mas que busca prioritariamente o retorno financeiro direto e a distribuição de lucros. No Brasil, as ações preferenciais são identificadas pelo número 4 no final do código de negociação.

Exemplos práticos: PETR4 (Petrobras PN), ITUB4 (Itaú Unibanco PN), BBDC4 (Bradesco PN), CMIG4 (Cemig PN).

A palavra “preferencial” indica que essa classe de ativos confere uma preferência ou prioridade na distribuição de proventos (dividendos e Juros sobre o Capital Próprio – JCP) em relação aos detentores de ações ordinárias. Em termos simples: quando a empresa apura o lucro líquido e decide distribuir esse dinheiro aos acionistas, os donos de ações preferenciais recebem os seus valores primeiro.

Além da prioridade cronológica, a Lei das S/A (Lei nº 6.404/1976) estipula que as ações preferenciais devem possuir alguma vantagem financeira clara para compensar a ausência do direito de voto. Geralmente, essa vantagem se manifesta de duas formas:

1. Dividendos Maiores ou Prioritários

Muitas empresas determinam em seus estatutos sociais que as ações preferenciais receberão um dividendo por ação superior ao pago para as ações ordinárias (frequentemente 10% a mais), ou garantem um dividendo mínimo fixo anual, mesmo que o lucro da empresa venha a cair em um determinado trimestre de crise.

2. Preferência no Reembolso de Capital

Caso a empresa passe por uma situação catastrófica de falência, liquidação ou encerramento das atividades, os acionistas preferenciais têm a prioridade no recebimento de volta de parte do capital investido, logo após o pagamento das dívidas trabalhistas, tributárias e dos credores preferenciais (bancos e debenturistas). Os acionistas ordinários ficam no final da fila e só recebem se sobrar algum recurso após o atendimento dos preferenciais.

Como contrapartida a todas essas vantagens financeiras e de fluxo de caixa, as ações preferenciais não dão direito a voto nas assembleias da empresa (ou dão um direito muito restrito e condicionado a situações específicas). Trata-se de um acordo claro de mercado: você abre mão do poder político de influenciar os rumos do negócio em troca de receber mais dinheiro líquido na sua conta de investimentos.

O que significam os números 3, 4, 5, 6 e 11 nos códigos das ações da Bolsa?

O que significam os números 3, 4, 5, 6 e 11 nos códigos das ações da Bolsa?

Agora que você já entendeu o significado técnico dos números 3 (Ordinárias) e 4 (Prepreferenciais), é importante saber que a prateleira da Bolsa de Valores (B3) guarda outros números no final das siglas que representam subdivisões ou combinações desses ativos.

Entender essa numeração evita que você compre um produto financeiro confuso ou inadequado para a sua carteira de investimentos.

[Ticker da Empresa] + [Dígito de Classe] 
Exemplo: P E T R + 4 = PETR4 (Ação Preferencial)

Abaixo, detalhamos o significado de cada código numérico de classe disponível no mercado de capitais:

O número 5 e 6: Ações Preferenciais de Classes Diferentes (Classe A, B, C…)

Algumas companhias de grande porte precisam criar categorias adicionais de ações preferenciais para atender a acordos de investimentos específicos ou regulamentações de setores estatais. Essas ações são chamadas de Preferenciais Classe A (PNA), Classe B (PNB) e assim por diante, recebendo os números 5, 6 ou superiores no final do ticker.

Cada classe terá regras próprias detalhadas no Estatuto Social da empresa (por exemplo, a Classe A pode dar direito a dividendos fixos mínimos, enquanto a Classe B dá direito a resgate prioritário após um determinado prazo de anos).

O número 11: As Units (Pacotes ou Certificados de Depósito de Ações)

O dígito 11 no mercado de ações identifica as chamadas Units. Uma Unit não é uma ação individualizada, mas sim um “combo” ou pacote que junta ações ordinárias e preferenciais sob um único código de negociação.

Exemplo prático: A Unit do Banco Santander (SANB11) é composta por uma cesta contendo 1 ação ordinária (SANB3) + 1 ação preferencial (SANB4). Ao comprar uma cota de SANB11, você adquire os dois papéis simultaneamente de forma simplificada. Outros exemplos famosos de Units são TAEE11 (Taesa) e KLBN11 (Klabin). Fique atento, pois o número 11 também é usado para identificar cotas de Fundos Imobiliários (FIIs) e ETFs, que são fundos de índice.

Resumo dos principais códigos de ações para o investidor iniciante:

  • Final 3: Ações Ordinárias (ON) — Com direito a voto e alinhamento com os controladores.

  • Final 4: Ações Preferenciais (PN) — Com preferência no recebimento de dividendos e sem direito a voto.

  • Final 5 e 6: Ações Preferenciais de classes especiais (PNA, PNB).

  • Final 11: Units (Pacotes contendo combinações de ações ON e PN).

O que é Tag Along e por que ele é o escudo de proteção do pequeno acionista?

Um dos conceitos mais importantes que todo investidor iniciante precisa aprender antes de comprar a sua primeira ação é o Tag Along (ou Direito de Governança Corporativa de Venda Conjunta). O Tag Along é um mecanismo de proteção legal obrigatório instituído pela Lei das S/A que protege o acionista minoritário caso o controle majoritário da empresa seja vendido para um novo grupo de investidores ou para outra companhia.

Imagine o seguinte cenário de risco: você investe há cinco anos nas ações ordinárias de uma excelente empresa de energia. Os donos originais são gestores honestos, competentes e que valorizam o negócio. Repentinamente, um grupo estrangeiro decide comprar 51% das ações da empresa e assume o controle do negócio. Esse novo grupo controlador pode adotar uma gestão agressiva com a qual você não concorda ou mudar o foco estratégico da companhia.

Se a empresa que você investe possui Tag Along, o grupo comprador é obrigado por lei a fazer uma oferta pública de compra (OPA) para adquirir as suas ações minoritárias também. O Tag Along garante que você possa vender os seus papéis e sair do negócio recebendo um percentual justo do preço que foi pago aos donos controladores pelas ações deles.

A legislação brasileira estipula regras de cobertura de Tag Along diferentes para cada classe de ação:

Cobertura de Tag Along para Ações Ordinárias (ON)

Por lei, todas as ações ordinárias (finais 3) negociadas na Bolsa possuem um Tag Along mínimo obrigatório de 80%. Isso significa que se o controlador vender a sua participação por R$ 10,00 por ação, o comprador é obrigado a oferecer no mínimo R$ 8,00 (80% do valor) para comprar as suas ações ordinárias se você desejar sair da companhia. Muitas empresas de boa governança corporativa estendem voluntariamente esse benefício para 100% de Tag Along em seus estatutos.

Cobertura de Tag Along para Ações Preferenciais (PN)

Aqui mora o grande ponto de atenção: as ações preferenciais (finais 4) não possuem direito a Tag Along garantido por lei. Se o controle da empresa for vendido, o comprador não é obrigado a fazer nenhuma oferta pelas ações preferenciais dos pequenos investidores. Você pode ficar “preso” em uma empresa sob nova gestão, vendo as ações preferenciais despencarem no mercado secundário devido à falta de interesse de compra.

No entanto, para atrair investidores de longo prazo, as melhores empresas do mercado incluem cláusulas de Tag Along voluntário para as suas ações preferenciais em seus estatutos, estipulando coberturas de 80% ou 100%. Portanto, antes de escolher entre a ação 3 ou 4 de uma empresa, acesse a área de Relações com Investidores (RI) da companhia ou o portal de análise da sua corretora e verifique se a ação preferencial conta com a proteção do Tag Along. Evite comprar papéis PN de empresas que deixam o pequeno investidor sem essa blindagem fundamental.

Governança Corporativa: Novo Mercado e a exigência de emitir apenas ações ordinárias

Governança Corporativa: Novo Mercado e a exigência de emitir apenas ações ordinárias

O mercado de capitais brasileiro evoluiu imensamente nas últimas décadas. Para atrair capital de grandes fundos de investimentos internacionais e dar mais transparência para as negociações, a Bolsa de Valores (B3) criou os chamados Segmentos de Listagem de Governança Corporativa. O nível mais alto, seguro e exigente dessa classificação é conhecido como o Novo Mercado.

Quando uma empresa é listada no segmento do Novo Mercado, ela assume o compromisso público de adotar práticas de gestão extremamente transparentes, auditorias independentes rigorosas e regras éticas elevadas. Uma das principais regras obrigatórias do Novo Mercado é: a empresa só pode emitir e negociar ações ordinárias (ON – Final 3).

Nesse segmento premium da Bolsa, a existência de ações preferenciais (PN – Final 4) é totalmente proibida. O objetivo dessa regra é unificar a base de acionistas e garantir que todos os participantes — desde o investidor bilionário até o jovem que está comprando uma única cota no celular — tenham exatamente os mesmos direitos políticos, o mesmo alinhamento de longo prazo e 100% de cobertura de Tag Along.

Empresas famosas e gigantescas da economia nacional fazem parte do Novo Mercado e, por isso, só possuem ações com final 3 disponíveis para compra.

  • Vale: VALE3

  • Magazine Luiza: MGLU3

  • Lojas Renner: LREN3

  • WEG: WEGE3

  • B3 S.A.: B3SA3

Se você pesquisar pelo código de uma dessas empresas terminando com o número 4, verá que ele simplesmente não existe no Home Broker. Saber disso poupa tempo e mostra que, quando você investe em empresas do Novo Mercado, você já está adquirindo o nível máximo de proteção institucional que a nossa Bolsa pode oferecer para o seu patrimônio.

Tabela comparativa definitiva: Ações Ordinárias (ON) vs. Ações Preferenciais (PN)

Para fixar o conhecimento de forma visual e permitir uma tomada de decisão rápida na hora de montar a sua carteira de investimentos, estruturamos uma tabela comparativa com todas as diferenças práticas entre os dois tipos de ações.

Critério de Análise Ações Ordinárias (ON) Ações Preferenciais (PN)
Dígito Final do Código (Ticker) 3 (Ex: ITUB3) 4 (Ex: ITUB4)
Direito de Voto em Assembleias Sim. Dá poder de voto político proporcional à quantidade de ações. Não (ou apenas em situações extremas e restritas).
Prioridade nos Dividendos Não possui prioridade. Recebe após o pagamento dos preferenciais. Sim. Recebe dividendos primeiro e, frequentemente, valores maiores.
Proteção de Tag Along por Lei Sim. Mínimo obrigatório de 80% de cobertura por lei. Não. Depende exclusivamente de concessão voluntária no estatuto.
Preferência no Reembolso de Capital Fica no final da fila em caso de falência ou liquidação da empresa. Prioritário. Recebe os recursos de volta antes dos acionistas ON.
Presença no Novo Mercado Obrigatória. É a única classe permitida no segmento mais alto. Proibida. Empresas desse segmento não podem emitir ações PN.
Foco do Perfil de Investidor Foco em governança, proteção de longo prazo e sociedade pura. Foco em renda passiva recorrente, fluxo de caixa e dividendos altos.

Liquidez de mercado: Como o volume de negociações afeta a compra e venda de papéis 3 e 4

Outro fator operacional que o investidor iniciante não pode ignorar na hora de escolher entre ações ON e PN é a liquidez de mercado. No ambiente das finanças, a liquidez representa a velocidade e a facilidade com que você consegue transformar um ativo financeiro em dinheiro disponível na sua conta corrente, sem precisar aceitar um desconto agressivo no preço para conseguir fechar o negócio.

Uma ação possui alta liquidez quando existem milhares de investidores comprando e vendendo esse mesmo papel a cada segundo na Bolsa de Valores. Se você possui uma ação de alta liquidez e precisa resgatar o dinheiro de emergência, basta emitir uma ordem de venda no Home Broker que o negócio será fechado instantaneamente no preço de mercado atual.

Historicamente, no mercado de capitais brasileiro, as ações preferenciais (PN – Final 4) costumam concentrar o maior volume diário de negociações e liquidez nas empresas que emitem as duas categorias de papéis (como Petrobras e Itaú Unibanco). Isso acontece porque os grandes investidores pessoas físicas e pequenos traders buscam a preferência dos dividendos e a facilidade de entrar e sair de posições rapidamente.

O perigo do “Spread” de liquidez em ações ordinárias

Se você decidir comprar a ação ordinária (final 3) de uma empresa de médio ou pequeno porte (as chamadas Mid Caps ou Small Caps) que não pertença ao Novo Mercado, você pode se deparar com um problema de baixa liquidez.

Isso gera o fenômeno do Spread de Preço: a diferença entre o preço que os compradores estão dispostos a pagar e o preço que os vendedores estão exigindo fica muito grande.

Se você precisar vender os seus papéis ordinários rapidamente em um momento de aperto financeiro, pode se ver obrigado a aceitar um preço significativamente menor do que o valor patrimonial real da ação apenas para conseguir encontrar um comprador disponível no mercado, gerando um prejuízo operacional evitável. Por isso, sempre observe o volume de negociação diária da ação antes de fechar o seu investimento.

Guia prático: Como escolher a melhor classe de ação para sua estratégia financeira?

O que acontece quando os juros ficam muito altos

Chegamos ao ponto crucial de nossa análise profunda: afinal, diante de todas essas regras, vantagens e proteções, qual tipo de ação você deve escolher para colocar o seu dinheiro suado? A resposta correta não é universal, pois depende dos seus objetivos financeiros individuais, do seu horizonte de tempo de investimento e do seu perfil de risco.

Para facilitar a sua tomada de decisão estratégica, dividimos os caminhos de escolha em três perfis claros de planejamento:

Escolha Ações Ordinárias (ON – Final 3) se:

  • O seu objetivo principal é fazer investimentos focados em longuíssimo prazo (Buy and Hold), visando acumular patrimônio por décadas ou para a aposentadoria.

  • Você valoriza ao máximo a segurança institucional e deseja ter o seu capital alinhado diretamente aos interesses dos donos e controladores majoritários da empresa.

  • Você não abre mão da proteção do Tag Along e prefere investir em companhias que adotam os padrões rígidos de governança do Novo Mercado.

  • O recebimento imediato e máximo de dividendos trimestrais não é a sua prioridade atual, pois o seu foco está no crescimento de valorização do preço da própria ação ao longo do tempo.

Escolha Ações Preferenciais (PN – Final 4) se:

  • A sua meta financeira principal é a construção de uma carteira de renda passiva recorrente, focada no recebimento constante e volumoso de dividendos e Juros sobre o Capital Próprio para viver de renda.

  • Você deseja obter um rendimento por ação historicamente superior ou garantido por vantagens estatutárias claras.

  • Você verificou previamente o estatuto social da empresa e confirmou que a ação preferencial conta com a proteção de um Tag Along voluntário de 80% ou 100%, neutralizando o risco de ficar desprotegido em caso de venda do controle empresarial.

  • Você investe em empresas gigantescas e maduras da Bolsa (as chamadas Blue Chips), onde a liquidez diária do papel final 4 é imensa, facilitando resgates ou rebalanceamentos de carteira a qualquer momento.

Escolha as Units (Final 11) se:

  • Você busca uma solução intermediária e simplificada para não precisar gastar tempo analisando as diferenças de spread e dividendos entre os papéis 3 e 4 de uma mesma empresa.

  • Você quer adquirir, em uma única operação de compra no Home Broker, um pacote equilibrado contendo os direitos políticos e de governança das ações ordinárias somados às vantagens de rentabilidade de dividendos das ações preferenciais.

Assuma o controle de suas escolhas e monte uma carteira de ações vencedora

Ao longo deste guia completo e aprofundado, ficou evidente que desvendar o significado e o funcionamento das ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) é a chave de ouro para deixar de ser um apostador amador na Bolsa de Valores e se transformar em um investidor consciente, técnico e profissional. Cada número que acompanha o código de uma empresa carrega consigo um conjunto de regras jurídicas e financeiras que moldam diretamente o crescimento do seu patrimônio e a proteção do seu dinheiro.

Não existe uma categoria de ação que seja absolutamente “melhor” ou “pior” do que a outra de forma isolada; o que existe é a ação ideal para a sua estratégia atual. Empresas de excelente qualidade e líderes em seus setores de atuação oferecem ótimas oportunidades tanto em suas versões ordinárias quanto preferenciais, cabendo a você alinhar essas opções com a sua busca por governança de longo prazo ou renda passiva imediata por dividendos.

Vença a inércia burocrática a partir de hoje. Acesse o aplicativo da sua corretora de valores, analise as empresas do seu interesse, observe os seus segmentos de listagem, cheque a existência de Tag Along nos papéis preferenciais e monte a sua carteira de investimentos com total autonomia e clareza analítica. Ao dominar as engrenagens do mercado de capitais, você blinda as suas finanças contra as oscilações do mercado e garante uma jornada de investimentos próspera, sólida e altamente lucrativa para o seu bolso todos os dias.

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