janeiro 23, 2026


Por que as pessoas evitam contratar seguros

Por que as pessoas evitam contratar seguros

Contratar um seguro é, por definição, uma das decisões financeiras mais racionais que um indivíduo pode tomar. No entanto, o mercado de seguros ainda enfrenta uma resistência cultural e psicológica gigantesca no Brasil e em diversos outros países. Enquanto protegemos com unhas e dentes o que conquistamos, muitas vezes deixamos a “porta aberta” para imprevistos que podem destruir anos de trabalho em poucos segundos.

Mas por que essa barreira existe? Por que o brasileiro médio prefere pagar uma parcela de um smartphone de última geração, mas hesita em pagar um prêmio de seguro para proteger sua própria vida ou sua residência? Neste artigo, vamos mergulhar fundo nas razões psicológicas, financeiras e culturais que explicam esse comportamento e como você pode mudar sua visão para proteger seu patrimônio de verdade.

1. O Vies da Positividade: O Perigoso Pensamento de “Isso Nunca Vai Acontecer Comigo”

4. EV/EBITDA: A Visão do Comprador de Empresas (Avançado Simplificado)

Um dos maiores obstáculos para a venda de seguros é um fenômeno psicológico chamado Viés de Otimismo (ou Optimism Bias). Humanamente, somos programados para acreditar que coisas ruins só acontecem com o vizinho, com o primo ou com quem aparece no telejornal.

A armadilha do “eu sou cuidadoso”

Muitas pessoas evitam o seguro porque acreditam que seu comportamento pessoal é o suficiente para evitar sinistros. “Eu dirijo bem, não preciso de seguro auto”, ou “Minha saúde é ótima, não preciso de seguro de vida”. O erro aqui é ignorar o fator externo. O seguro não serve para proteger você de seus próprios erros apenas, mas principalmente para proteger você dos erros dos outros e de eventos da natureza que estão fora do seu controle.

Como o cérebro processa o risco

Nosso cérebro tem dificuldade em calcular probabilidades de longo prazo. Preferimos o prazer imediato (comprar algo novo) à segurança de evitar uma dor futura. Para sua saúde financeira, entender que o risco é uma constante estatística é o primeiro passo para o amadurecimento patrimonial.

2. A Barreira do Preço: Seguro é Gasto ou Investimento na Sua Estrutura Financeira?

A objeção mais comum em qualquer corretora de seguros é: “Está muito caro”. Mas o conceito de “caro” é relativo e muitas vezes está ligado a uma percepção distorcida de valor.

O custo do “não ter”

Muitos consumidores focam apenas no valor da parcela mensal (o prêmio). No entanto, raramente fazem o cálculo reverso: quanto custaria repor um carro de R$ 70 mil se ele fosse roubado amanhã? Quanto custaria uma cirurgia de emergência sem um plano de saúde ou um seguro viagem?

A comparação com gastos supérfluos

Muitas vezes, o valor de um seguro residencial anual é menor do que uma única pizza por mês. Quando a pessoa diz que não tem dinheiro para o seguro, geralmente ela quer dizer que o seguro não é uma prioridade no seu orçamento. No mundo dos negócios e investimentos, o seguro deve ser visto como uma “despesa operacional” necessária para manter sua vida funcionando.

3. Falta de Educação Financeira: A Ausência do Seguro no Planejamento Familiar

No Brasil, a educação financeira ainda é um privilégio de poucos. A maioria das pessoas aprende a ganhar dinheiro e, com sorte, a poupar. Pouquíssimas são ensinadas a proteger o que ganharam.

O seguro como alicerce da pirâmide financeira

Imagine uma pirâmide financeira. Na base, não deveriam estar as ações ou o Bitcoin, mas sim a reserva de emergência e a proteção de renda (seguros). Sem seguros, qualquer investimento de risco pode ser liquidado às pressas — e com prejuízo — para cobrir uma emergência médica ou um dano patrimonial.

O papel do corretor como educador

Muitas pessoas evitam seguros porque simplesmente não entendem como eles funcionam. Termos como “franquia”, “sinistro”, “lMG”, “prêmio” e “estipulante” criam uma barreira de compreensão. Quando o consumidor não entende, a tendência natural é dizer “não”.

4. O Trauma das “Letras Miúdas”: A Falta de Confiança nas Seguradoras

Quanto dinheiro é necessário para investir em ações?

Historicamente, o mercado de seguros sofreu com uma imagem de burocracia excessiva e dificuldades na hora do pagamento da indenização. O medo de ser “enganado pelas letras miúdas” é um dos principais motivos pelos quais as pessoas evitam contratar o serviço.

Transparência e a Nova Era dos Seguros

Com o advento das Insurtechs (startups de seguros) e uma regulação mais rígida da SUSEP, o setor mudou drasticamente. Hoje, as apólices estão mais claras e digitais. No entanto, o estigma permanece. Para vencer essa barreira, é essencial ler as Condições Gerais e contar com um corretor que explique detalhadamente as exclusões — ou seja, o que o seguro não cobre.

O mito da negativa injustificada

Muitas pessoas acreditam que as seguradoras fazem de tudo para não pagar. Na verdade, a maioria das negativas de sinistro ocorre por erro do próprio segurado na hora da contratação (omissão de informações) ou por tentar acionar coberturas que não foram contratadas.

5. Fatores Culturais: O Seguro é Visto Como “Chamar o Azar”?

Em algumas culturas, falar sobre morte, acidentes ou doenças é considerado um tabu. Existe uma crença supersticiosa de que, ao contratar um seguro de vida, você está “atraindo” a morte.

Mudança de mentalidade: De “azar” para “amor”

O seguro de vida, por exemplo, é um dos produtos mais evitados por essa razão. No entanto, ele é, na verdade, um dos maiores atos de amor e responsabilidade que alguém pode ter com sua família. Ele garante que, na ausência do provedor, o padrão de vida dos filhos e do cônjuge seja mantido. Mudar o foco do “evento trágico” para o “conforto de quem fica” é a chave para quebrar essa barreira cultural.

6. A Falácia da “Auto-Segurança”: Por que Guardar Dinheiro Não Substitui o Seguro?

Um argumento comum entre pessoas que entendem um pouco de investimentos é: “Em vez de pagar o seguro, eu vou investir esse valor e, se algo acontecer, eu uso o dinheiro”. Embora pareça lógico, matematicamente isso é uma falha grave.

A escala da proteção

Imagine que você paga R$ 200 por mês em um seguro que te dá uma cobertura de R$ 500.000 em caso de invalidez. Se você sofrer um acidente no segundo mês de contrato, terá pago R$ 400 e receberá meio milhão. Se você estivesse “poupando” esse dinheiro, teria apenas R$ 400 no banco.

O seguro é uma forma de alavancagem de proteção. Você paga uma pequena quantia para ter acesso a um capital muito maior em um momento de crise. Investir é para multiplicar riqueza; seguro é para garantir que você não fique pobre.

7. A Complexidade na Escolha: O Excesso de Opções Gera Paralisia

O fenômeno conhecido como “Paradoxo da Escolha” também afeta o mercado de seguros. Com tantas seguradoras, tipos de coberturas, assistências 24h e variações de franquia, o consumidor médio se sente sobrecarregado.

O medo de escolher a cobertura errada

Muitas vezes, a pessoa evita contratar porque tem medo de pagar por algo que não vai usar ou de deixar de fora algo essencial. Isso leva à procrastinação: “Depois eu vejo isso com calma”. E esse “depois” pode ser tarde demais.

8. Tipos de Seguros Que As Pessoas Mais Evitam (E Por Que São Essenciais)

Você já ouviu falar do efeito Diderot nas finanças?

Abaixo, listamos modalidades que sofrem com a rejeição, mas que são pilares de uma vida financeira estável:

Seguro de Renda (DIT – Diária de Incapacidade Temporária)

Muito evitado por profissionais liberais e autônomos. Se um médico ou um dentista quebra a mão, ele para de ganhar dinheiro. O seguro DIT paga os dias que ele ficar parado. Evitá-lo é colocar todo o seu sustento em risco.

Seguro de Responsabilidade Civil Profissional

Muitos profissionais acreditam que nunca serão processados por clientes. Em um mundo cada vez mais judicializado, evitar esse seguro pode significar a falência de um consultório ou escritório de advocacia diante de um único erro técnico.

Seguro Residencial

É um dos seguros mais baratos que existem (muitas vezes custa menos de R$ 1 por dia), mas é ignorado por proprietários e inquilinos que acham que o condomínio já cobre tudo (o seguro do condomínio cobre apenas a estrutura comum, não o que está dentro do seu apartamento).

9. Como Superar a Resistência e Começar a se Proteger?

Se você chegou até aqui, já entendeu que evitar seguros é mais uma questão emocional do que financeira. Para mudar isso:

  1. Analise seus maiores riscos: O que destruiria sua vida financeira hoje? Um processo? Uma doença? O roubo do seu instrumento de trabalho? Comece por aí.

  2. Faça cotações reais: Pare de supor que é caro. Peça números.

  3. Ajuste a franquia: Se o prêmio estiver alto, aumente a franquia. Você assume os pequenos riscos e deixa os grandes com a seguradora.

  4. Consulte um especialista: Um bom corretor de seguros é um consultor de riscos, não um vendedor de papel.

10. O Seguro é a Liberdade para Arriscar nos Negócios

No mundo dos investimentos e negócios, quem não tem seguro vive “com o freio de mão puxado”. Quando você sabe que sua família está protegida, que sua casa está segura e que seu carro está coberto, você tem muito mais liberdade e tranquilidade para focar no que realmente importa: crescer sua carreira, gerir sua empresa e aproveitar a vida.

Evitar seguros é uma economia que pode sair absurdamente cara. A verdadeira inteligência financeira não está em apenas acumular bens, mas em garantir que eles — e você — permaneçam protegidos contra as incertezas do amanhã.

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