março 17, 2026


Conheça os seguros mais “inúteis” e quais evitar

Conheça os seguros mais “inúteis” e quais evitar

Você já deve ter passado por isso: está no caixa de uma grande loja de varejo, finalizando a compra de um liquidificador ou smartphone, e o vendedor pergunta: “Não quer levar uma garantia estendida por apenas R$ 10 por mês?”. Ou então, ao conferir a fatura do seu cartão de crédito, percebe um pequeno valor de “Seguro Proteção de Perda e Roubo” que você nem lembra de ter contratado.

No mundo das finanças, o seguro é uma ferramenta de proteção essencial, mas nem toda apólice é criada da mesma forma. Existem produtos que são verdadeiras “âncoras” no seu orçamento, oferecendo coberturas que você já possui por lei ou que cobrem riscos tão ínfimos que a matemática simplesmente não fecha.

Neste guia definitivo, vamos desmascarar os seguros mais questionáveis do mercado brasileiro e ensinar você a identificar o que é proteção real e o que é apenas gasto desnecessário.

O que define um seguro como “inútil” na prática?

O que define um seguro como “inútil” na prática?

Antes de listarmos os nomes, precisamos entender o conceito de Custo de Oportunidade e Probabilidade de Risco. Um seguro só vale a pena quando ele protege você de um evento que, se ocorresse, causaria um dano financeiro que você não conseguiria suportar sozinho.

O conceito de Valor Esperado

Para as seguradoras, o seguro é um jogo de números. Elas sabem que a chance de um evento X acontecer é de 0,1%. Se elas cobrarem de você um valor que é proporcionalmente muito maior que esse risco, o lucro é delas e o prejuízo é seu. Um seguro torna-se “inútil” ou “ineficiente” quando:

  1. A probabilidade do evento é quase zero.

  2. O valor da indenização é menor que o esforço burocrático para recebê-la.

  3. Você já está protegido por outra apólice ou pela legislação vigente.

  4. O valor das parcelas (prêmio), ao longo de dois ou três anos, equivale ao preço de um produto novo.

Garantia Estendida para eletrodomésticos de baixo valor

Este é o campeão de vendas no varejo físico e online. A garantia estendida nada mais é do que um seguro que começa a valer após o término da garantia do fabricante.

Por que evitar em produtos baratos?

Se você compra uma batedeira de R$ 150 e paga R$ 40 por uma garantia estendida de dois anos, você está gastando quase 30% do valor do produto em um seguro. Financeiramente, faria muito mais sentido colocar esses R$ 40 em uma caixinha de reserva. Se o produto quebrar, você já tem parte do valor para um novo. Se não quebrar, o dinheiro continua sendo seu.

Além disso, a burocracia para acionar essas garantias muitas vezes envolve levar o produto a assistências técnicas distantes, o que acaba fazendo o consumidor desistir do processo.

Dica de Ouro: Muitos cartões de crédito das categorias Gold, Platinum ou Black já oferecem “Garantia Estendida Original” gratuitamente para produtos comprados com o cartão. Antes de pagar por fora, verifique os benefícios do seu cartão!

Seguro de Proteção de Preço e Perda/Roubo de Cartão

Você já viu aquela cobrança de R$ 5 ou R$ 10 no cartão chamada “Seguro Cartão Protegido”? À primeira vista, parece barato e seguro. Mas vamos analisar a lei brasileira.

O que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) diz

No Brasil, a jurisprudência entende que, se o seu cartão for roubado ou clonado e você avisar a administradora, quaisquer compras feitas por terceiros a partir daquele momento são de responsabilidade do banco, pois houve falha na segurança do sistema de autenticação. Mesmo compras feitas antes do aviso podem ser contestadas judicialmente se apresentarem um padrão de consumo estranho ao seu perfil.

Contratar um seguro para algo que a operadora do cartão já tem a obrigação de garantir é, em muitos casos, pagar duas vezes pela mesma coisa. Esses seguros costumam ter limites baixos de indenização (ex: até R$ 2.000), o que pode não cobrir um prejuízo maior se você tiver um limite alto.

Seguro de Acidentes Aéreos: Vendendo o medo do improvável

Existem apólices vendidas especificamente para o caso de queda de avião. Embora o medo de voar seja comum, estatisticamente o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo.

A redundância com o Seguro de Vida e Viagem

Se você já possui um Seguro de Vida ou um Seguro Viagem (que é altamente recomendado), você já está coberto em caso de acidentes fatais ou invalidez, independentemente de ser no ar, na terra ou no mar. Pagar uma apólice específica para um desastre aéreo é focar em um nicho de risco minúsculo, enquanto você deveria estar preocupado com a cobertura ampla que protege sua família em qualquer circunstância.

Seguro para doenças específicas (ex: Seguro de Câncer)

Imóvel financiado exige seguro?

Algumas seguradoras oferecem planos que pagam uma indenização apenas se você for diagnosticado com uma doença específica, como o câncer.

Por que o Plano de Saúde é a melhor escolha?

Embora receber um valor em dinheiro no diagnóstico ajude, o que realmente custa caro em uma doença grave é o tratamento: cirurgias, quimioterapia, internações e medicamentos. Um bom Plano de Saúde cobre tudo isso de forma ilimitada (conforme o rol da ANS).

Se você quer uma proteção financeira extra, o ideal é investir em um Seguro de Doenças Graves Amplo (que cubra AVC, Infarto, Câncer, Insuficiência Renal, etc.) ou em um seguro de Invalidez Temporária (DIT), que garante sua renda enquanto você não puder trabalhar. Focar em uma única doença é deixar todas as outras janelas da sua casa abertas.

Seguro de Vida para crianças ou solteiros sem dependentes

Este é um ponto polêmico, mas necessário para a saúde financeira. O seguro de vida tem uma função principal: repor a renda de quem gera sustento para terceiros.

  • Crianças: Não geram renda. O seguro de vida para uma criança não faz sentido lógico do ponto de vista de proteção financeira. Seria mais inteligente investir esse valor em um plano de previdência ou faculdade.

  • Solteiros sem filhos/dependentes: Se ninguém depende do seu dinheiro para comer, pagar aluguel ou viver, você não precisa de uma cobertura de “Morte”. Você precisa, sim, de uma cobertura de Invalidez ou Doenças Graves para VOCÊ mesmo se sustentar caso algo aconteça.

Pagar por uma indenização de morte que ninguém precisa receber é um desperdício de prêmio que poderia estar sendo usado para sua própria aposentadoria.

Seguro Prestamista em compras parceladas de baixo valor

O seguro prestamista garante o pagamento de uma dívida caso o devedor morra ou fique desempregado. Ele é muito comum em financiamentos de imóveis e carros (onde faz muito sentido). O problema é quando ele é “embutido” silenciosamente em carnês de lojas de móveis ou vestuário.

O custo invisível

Em uma compra de R$ 500 parcelada em 10 vezes, o seguro prestamista pode custar R$ 3 por parcela. Parece pouco, mas ao final você pagou R$ 30 a mais. Se você somar isso a todas as compras parceladas que faz no ano, verá que está pagando uma taxa de juros disfarçada de seguro.

Se você tem uma reserva de emergência, você é o seu próprio “seguro prestamista” para dívidas pequenas. Guarde esse dinheiro e evite contratar esse serviço em balcões de lojas de departamento.

Seguro de Celular com franquias abusivas e carência longa

O seguro de smartphone tornou-se popular devido ao alto preço dos aparelhos (Iphones, Galaxys S). No entanto, muitas apólices são verdadeiras armadilhas.

O que observar antes de contratar:

  1. A Franquia: Algumas seguradoras cobram uma franquia de 25% a 40% do valor de um aparelho novo. Se você paga R$ 1.000 por ano de seguro e, ao ser roubado, tem que pagar mais R$ 1.500 de franquia para receber um celular recondicionado, o negócio deixa de ser vantajoso.

  2. Furto Simples vs. Furto Qualificado: Muitas apólices não cobrem furto simples (aquele em que o celular some da sua bolsa sem você perceber). Elas só cobrem se houver rompimento de obstáculo ou ameaça direta.

  3. Depreciação: O seguro costuma pagar o valor de mercado de um usado, não o valor que você pagou na nota fiscal. Como celulares desvalorizam rápido, em dois anos você estará pagando prêmio caro para uma indenização pequena.

O perigo da Redundância: Você está pagando duas vezes pela mesma proteção?

O que acontece após uma negociação ser executada na bolsa

O maior “ralo” de dinheiro no mercado de seguros é a redundância. Muitas vezes, o consumidor já tem a proteção que está tentando comprar.

  • Seguro Viagem: Se você comprou a passagem com um cartão de crédito de alta categoria, você já tem o seguro viagem gratuito. Pagar por outro é desnecessário.

  • Seguro de Aluguel de Carro: As locadoras pressionam você a contratar o seguro CDW/LDW (colisão e roubo). Novamente, cartões Platinum/Black costumam oferecer essa proteção de forma gratuita. Basta recusar o seguro da locadora e pagar a locação com o cartão.

  • Seguro Residencial vs. Condominial: Como vimos em artigos anteriores, não confunda o seguro do prédio com o da sua casa, mas verifique se o seu seguro de vida já não possui alguma assistência residencial gratuita embutida.

Como avaliar se um seguro é “Útil” para você? (O Checklist de Ouro)

Antes de assinar qualquer contrato, faça estas quatro perguntas:

  1. Se esse imprevisto acontecer, eu consigo pagar o prejuízo com minha reserva de emergência? Se sim, o seguro é opcional ou inútil.

  2. Eu já tenho essa cobertura em algum cartão de crédito ou benefício da empresa onde trabalho?

  3. A franquia é menor que 20% do valor do bem? Se for muito alta, o risco continua sendo seu, não da seguradora.

  4. Eu li a lista de “Exclusões”? Se o que você mais teme está na lista de exclusões, o seguro não serve para você.

Informação é o seu melhor escudo financeiro

O mercado de seguros é essencial para uma economia saudável e para a paz de espírito das famílias. No entanto, como qualquer setor, ele possui produtos de prateleira que visam apenas o lucro rápido das instituições em cima da falta de informação do consumidor.

Ao evitar seguros “inúteis” ou redundantes, você libera orçamento para contratar as proteções que realmente importam: um bom seguro de vida (se tiver dependentes), um seguro residencial robusto e um seguro auto que cubra danos a terceiros.

Lembre-se: o melhor seguro do mundo é o conhecimento. Saiba o que você está assinando e não deixe o medo guiar suas decisões financeiras.

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